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17 passos para proteger sua privacidade online em 2026

Rob Mardisalu

Rob Mardisalu

Editor do TheBestVPN.com
privacidade e segurança

A privacidade online é um tema que ganha importância a cada ano.

Com cada vez mais serviços na web, aplicativos conectados e até assistentes inteligentes para casa ganhando popularidade, agora é mais crucial do que nunca entender quais são os riscos para sua privacidade online e como protegê-la de forma consciente.

Aqui estão 17 passos práticos para ajudar você a ficar mais anônimo na internet e proteger sua privacidade online. Não é necessário nenhum conhecimento avançado de informática.

O que é privacidade online? (definição e por que importa)

A privacidade online é o direito de controlar seus dados pessoais e suas comunicações. Em geral, as empresas coletam e rastreiam informações como sua atividade de navegação ou os dados que você informa em suas plataformas. Medidas de privacidade online permitem que você defina limites sobre o que as empresas podem coletar e como podem usar seus dados.

A privacidade online é crucial por vários motivos:

  • O cibercrime está crescendo rapidamente: o número de pessoas e empresas atingidas por ataques cibernéticos vem aumentando. O IC3 recebe cerca de 714 mil denúncias de vítimas de cibercrime por ano, o que mostra quantas pessoas e empresas são afetadas. Cibercriminosos criam novas formas de invadir contas e roubar informações sensíveis. Deixar dados expostos por aí só facilita esse tipo de ataque.
  • A liberdade de expressão está sendo limitada: governos ao redor do mundo ampliam a vigilância em massa para monitorar opiniões e associações. Isso gera um efeito inibidor, em que as pessoas passam a se autocensurar por medo de serem monitoradas ou perseguidas. A privacidade online é fundamental para criar um espaço seguro em que você possa pensar e se expressar livremente, sem vigilância.
  • Pegadas digitais podem afetar oportunidades no mundo real: empregadores e instituições usam cada vez mais perfis online para tomar decisões importantes. Uma foto antiga ou um comentário fora de contexto podem afetar as chances de alguém ser contratado ou aceito em um programa. A privacidade online ajuda a estabelecer limites e a evitar que atividades passadas atrapalhem a conquista de uma oportunidade.

Passos para proteger sua privacidade online:

1. Considere adquirir uma VPN

Em geral, sua conexão com a web não é protegida por nada. É apenas o seu computador solicitando um site (ou um serviço, um tweet etc.) e, em seguida, o servidor enviando esse conteúdo para você.

O problema, do ponto de vista da privacidade online, é que essa conexão é pública, pode ser interceptada e cada servidor envolvido no caminho pode ver o que está sendo transmitido. Se for um e-mail sensível (ou qualquer coisa desse tipo), você com certeza não quer correr esse risco.

É aqui que uma VPN entra em cena. VPN (ou Rede Privada Virtual) é um serviço que permite que você se conecte à web com mais segurança, roteando sua conexão por um servidor VPN antes de chegar ao destino.

Aqui está uma visualização rápida de como sua conexão se parece sem uma VPN e, em seguida, com uma VPN ativada:

o que uma VPN faz pela sua privacidade online

Na prática, uma VPN criptografa a conexão para que, mesmo que alguém a intercepte, as informações fiquem embaralhadas e ilegíveis. De fato, quem interceptar não conseguirá determinar de onde a conexão vem nem o que está sendo acessado, o que aumenta sua privacidade online.

Embora o conceito possa parecer complicado e intimidador no início, as VPNs modernas são fáceis de usar e não exigem habilidades técnicas, como configuração de servidor ou roteamento. Basta instalar a VPN de sua escolha e ativá-la com um único clique.

Critérios para avaliar uma VPN

Quase todas as VPNs dizem proteger sua privacidade online, mas poucas têm tecnologia e estrutura para entregar o que prometem. Veja o que considerar ao escolher um provedor:

Padrões de criptografia: são os protocolos usados para proteger seus dados durante o tráfego de informações. Procure VPNs que usem AES-256-GCM ou ChaCha20, pois esses padrões oferecem um nível mais alto de segurança. Evite provedores que não informem claramente qual método de criptografia utilizam.

Política de não registro (no-logs): significa que a VPN não coleta nem armazena seus dados. Na prática, qualquer empresa pode afirmar que segue essa política. A melhor forma de verificar é conferir se ela já passou por uma auditoria independente, feita por empresas como Deloitte ou PwC. Provedores que se submetem a auditorias tendem a ser mais transparentes sobre suas práticas e merecem prioridade na sua lista.

Jurisdição da empresa: é o país em que o provedor de VPN está legalmente sediado. Prefira serviços que operem fora dos acordos 5/9/14 Eyes, um grupo de países que compartilha dados de inteligência entre si. Provedores sediados no Panamá, na Suíça ou nas Ilhas Virgens Britânicas ficam fora desses acordos e, em geral, não são legalmente obrigados a compartilhar dados de usuários com órgãos governamentais.

Garantia de reembolso: verifique por quanto tempo a VPN permite testar o serviço com garantia de devolução do dinheiro. A maioria dos provedores confiáveis oferece 30 dias de reembolso integral caso você não fique satisfeito, embora esse prazo possa variar. Tenha esse padrão como referência, no mínimo, e leia as letras miúdas para entender se há limites de uso ou restrições.

Confira aqui nossa comparação das melhores VPNs do mercado. Muitas das principais soluções também oferecem versões para dispositivos móveis.

VPN não conecta? Veja esses passos para resolver

Tenha cuidado com VPNs gratuitas

Serviços de VPN são ótimos, isso é fato. Mas isso não vale para todos os casos.

Como diz o ditado: se você não está pagando pelo produto, então você é o produto. E isso é ainda mais preocupante quando estamos falando de privacidade online. No fim das contas, ninguém quer ter seus dados comprometidos ou vendidos a terceiros só porque deixou de ler as letras miúdas ao se inscrever em um serviço de VPN gratuito que parece ótimo.

2. Use o modo anônimo (ou de navegação privada)

Os navegadores atuais, como Chrome, Firefox e Opera, oferecem um modo de navegação privada.

Por exemplo, no Chrome, ao pressionar CMD+SHIFT+N (Mac) ou CTRL+SHIFT+N (Windows), você abre uma nova janela anônima. Nesse modo, o navegador não salva dados da sessão, como histórico de navegação, cache e cookies.

modo anônimo

Use esse modo sempre que fizer algo que você prefira manter privado e que não queira que possa ser recuperado depois no dispositivo em que está navegando.

Vale lembrar: o modo anônimo não deixa sua conexão mais segura. Ele apenas impede que as informações da sessão fiquem registradas no seu próprio dispositivo.

(O modo de navegação privada também existe em navegadores móveis.)

3. Bloqueie rastreadores de atividade na web

A principal preocupação com a privacidade online na web moderna é simples: você é rastreado praticamente por onde passa.

E não é só por causa de anúncios. Quase todo site que você visita tenta acompanhar sua atividade de diferentes formas. Para citar algumas:

  • Análise de tráfego (traffic analytics): muito usada para entender melhor o público do site, de onde as pessoas vêm, quais dispositivos usam, quanto tempo ficam na página, com quais subpáginas interagem e assim por diante.
  • Localização: comum em recursos como widgets de clima, eventos próximos e afins, mas também usada para rastreamento geral e análise de dados.
  • Recursos de redes sociais: exibem interações relacionadas à página ou ao artigo que você está lendo. Um exemplo clássico é o pixel do Facebook.
  • Pixel do Facebook: serve para vincular sua navegação ao seu perfil, ajudando o Facebook a entender seus hábitos e a decidir o que mostrar no feed, inclusive quais anúncios têm mais chance de chamar sua atenção.
  • Rastreadores de mídia: por exemplo, quando há um vídeo do YouTube na página, esse player pode se conectar à sua atividade no YouTube, o que influencia o tipo de vídeos que a plataforma tende a recomendar depois.

Todos esses rastreadores podem deixar os sites mais lentos e, no geral, menos seguros.

Uma das soluções mais práticas é usar uma ferramenta como o Ghostery. Ela é gratuita, tem versões para os principais navegadores e é simples de instalar. Em muitos casos, começa a ajudar assim que você instala.

Configurações do Ghostery

Você também pode considerar optar por serviços focados em privacidade, que não coletam seus dados desde o início.

Por exemplo:

  • DuckDuckGo é um buscador que não rastreia suas pesquisas nem cria um perfil sobre você. Você pode usar como usaria o Google, mas com mais anonimato.
  • ProtonMail oferece e-mail com criptografia de ponta a ponta, em que as mensagens só podem ser lidas por você e pelo destinatário. Nada é analisado para fins de publicidade.
  • SpiderOak criptografa seus arquivos antes de eles saírem do seu dispositivo, para que nem a empresa consiga acessá-los. Funciona como o Google Drive, mas com mais privacidade.

4. Use bloqueadores de anúncios

Várias fontes (por exemplo, 1, 2) indicam que o Google exibe cerca de 29 bilhões de anúncios todos os dias.

Mas isso é apenas o Google. E o Facebook? E todo o inventário de anúncios interno gerenciado pelos próprios webmasters, sem nenhuma rede de anúncios intermediária? Não é irrazoável estimar que o número total possa chegar a até 60 bilhões.

Em termos simples, os anúncios estão em toda parte. Mas sua simples existência não é problemática do ponto de vista da privacidade online.

O que é problemático é que os anúncios não são caixas pretas fechadas. É o contrário: eles coletam muitos dados, ouvem o que você faz e registram cliques e ações. Depois, essas informações podem ser usadas para acompanhar você pela web e mostrar anúncios ainda mais direcionados na próxima visita.

Tudo isso é uma prática comum do mercado. Não é ilegal. Na verdade, esses algoritmos de rastreamento são considerados inteligentes justamente por serem tão eficazes.

Mas existe também o outro lado da moeda. Alguns anúncios vão além e tentam infectar seu computador com malware, induzir você a instalar programas inseguros ou provocar cliques acidentais, escondendo que são anúncios e imitando o design do site. E, quando o malware evolui para algo como ransomware, o prejuízo financeiro pode ser enorme.

A melhor forma de evitar esse tipo de problema é bloquear anúncios por completo. O jeito mais simples é instalar uma extensão de bloqueio de anúncios no navegador. Ela impede que os anúncios sejam exibidos e, em geral, funciona imediatamente, sem exigir configuração.

5. Use Signal ou Telegram para mensagens

Nem toda comunicação online é igualmente segura ou protege sua privacidade online o suficiente.

Por exemplo, o e-mail, por si só, não é a forma mais privada de comunicação por causa das várias camadas e servidores envolvidos até a mensagem chegar ao destino.

Usar soluções como o Facebook Messenger ou mensagens diretas no X (antigo Twitter) levanta outras preocupações de privacidade, ligadas aos interesses dessas empresas e à forma como elas lidam com dados de usuários. Não faz muito tempo que se falou sobre 32 milhões de senhas do X potencialmente vazadas, por exemplo.

Uma alternativa bem melhor é usar outras ferramentas para conversas do dia a dia e até assuntos sensíveis. Aplicativos como Signal e Telegram, embora possam parecer coisa de gente mais nova, são opções de primeira linha quando o assunto é manter conversas privadas.

Tanto o Signal quanto o Telegram usam criptografia de ponta a ponta, o que mantém as mensagens entre você e a pessoa com quem está falando. Nem mesmo os aplicativos conseguem ler o conteúdo, apesar de serem eles que entregam as mensagens. Pense na criptografia como uma caixa trancada, em que só você e seu amigo têm as chaves.

O Signal criptografa as mensagens com o protocolo Signal, que foi verificado e auditado de forma independente por pesquisadores de segurança de Oxford e do MIT. E, para reforçar a confiança, o aplicativo também é de código aberto, o que permite que qualquer pessoa examine o funcionamento e procure vulnerabilidades.

No Telegram, as mensagens comuns não têm criptografia de ponta a ponta por padrão. Elas passam pelos servidores da empresa, que pode acessá-las se houver motivo. Ainda assim, é possível ativar manualmente os Chats Secretos, que usam o protocolo de criptografia do Telegram para proteger a conversa.

Além disso, os dois aplicativos também oferecem chamadas de voz, uma alternativa mais segura e privada às ligações tradicionais.

6. Não insira dados pessoais sensíveis em sites sem HTTPS

Em termos simples, HTTPS é a versão segura do HTTP, o protocolo padrão usado para enviar dados entre seu navegador e o site que você está acessando.

Verificar se um site usa HTTPS é fácil. Basta olhar a barra de endereços e ver se o link começa com https:// e se aparece o ícone de cadeado ao lado. Assim:

paypal (https seguro)

O mais importante aqui é nunca inserir informações sensíveis em sites que não usam HTTPS. Isso inclui dados de cartão de crédito, número de documentos, endereço e qualquer outra informação que você não queira ver comprometida.

Infelizmente, não há um conserto do seu lado quando um site não tem HTTPS. Nesse caso, a melhor opção é evitar esse tipo de página.

7. Limpe seus cookies regularmente

Cookies são um termo comum na web, mas pouca gente sabe exatamente o que eles são. Na prática, cookies são bem simples. Eles são pequenos arquivos de texto armazenados no seu computador e também no celular. Esses arquivos guardam informações relacionadas à sua atividade em um site específico.

O uso mais comum de um cookie é manter você logado em um site, sem precisar digitar seus dados de acesso toda vez que voltar. Mas os cookies podem ir muito além disso.

Além disso, eles também são usados para salvar itens do seu carrinho de compras, caso você abandone a compra e retorne mais tarde, ou para registrar quais conteúdos você já leu, o que ajuda o site a sugerir materiais no futuro. Esses são só dois exemplos entre muitos.

É difícil evitar cookies por completo. Se você desativá-los totalmente, na prática fica quase impossível usar serviços como Facebook, X, a maioria das lojas online e qualquer plataforma em que o login seja necessário.

O que dá para fazer, no entanto, é limpar os cookies de tempos em tempos. Isso ajuda a manter o navegador mais limpo e reduz as chances de um site reaproveitar cookies antigos, criados há meses, para rastrear seus hábitos online com mais facilidade.

8. Use apenas e-mail seguro

Como comentamos ao falar sobre mensageiros (no item 5), o e-mail não é a forma mais segura de comunicação online. Por outro lado, é difícil imaginar a vida sem e-mail, então, em algumas situações, você precisa usar e-mail mesmo assim.

Ainda assim, há medidas que ajudam a deixar isso mais seguro.

Para começar, você pode deixar de lado serviços gratuitos como Gmail ou Outlook.com e optar por um serviço pago. Uma alternativa nessa linha é o Tutanota, que oferece uma caixa de entrada criptografada.

Além disso, você pode tentar adicionar mais uma camada de proteção ao seu e-mail atual. Por exemplo, se você usa o Gmail, pode instalar uma extensão do Chrome que ativa criptografia de ponta a ponta nas mensagens, inclusive nos anexos. Esse tipo de criptografia ajuda a manter suas conversas privadas.

Saiba mais sobre e-mail anônimo.

9. Revise as permissões dadas aos seus aplicativos móveis

Cada app no iPhone, iPad ou Android precisa de um conjunto de permissões para funcionar. Às vezes, porém, alguns aplicativos passam do ponto e pedem acesso a mais do que parece necessário.

Se você já se pegou pensando “por que um app de receitas precisa acessar minha localização o tempo todo?”, então sabe do que estamos falando.

De tempos em tempos, vale revisar os apps instalados e as permissões concedidas. Na maioria dos casos, dá para remover parte dessas permissões sem tornar o app inutilizável, como no exemplo do aplicativo de receitas.

No iPhone, você pode fazer isso abrindo Ajustes, rolando até o final e revisando os aplicativos um por um.

permissões de aplicativos

 

10. Atualize para um dispositivo móvel mais novo

Parece que, todo ano, empresas como Apple, Samsung e Google tentam nos convencer a comprar o smartphone mais recente e aposentar os antigos. Naturalmente, a gente resiste. Mas isso não dura para sempre, principalmente se você não quiser que sua privacidade online seja comprometida.

O que vale lembrar é que dispositivos móveis modernos são computadores. Assim como um PC ou Mac, só que um pouco menos potentes. Por isso, também estão sujeitos a ameaças de segurança e, como qualquer outro dispositivo, precisam de atualizações constantes para continuar protegidos.

Dispositivos novos recebem atualizações regularmente, então isso costuma ser tranquilo. Os mais antigos, nem tanto.

Por exemplo, o Nexus 7, que ainda é relativamente popular e pode ser encontrado no eBay, deixou de receber atualizações de segurança depois de junho de 2015. Isso significa que quem continua usando esse aparelho fica exposto a novas ameaças por anos.

Queiramos ou não, em algum momento, trocar de dispositivo se torna inevitável.

11. Triture seus arquivos

Pode parecer surpreendente, mas se livrar de um arquivo de vez não é tão simples. Só mover para a lixeira e esvaziá-la não resolve. Arquivos removidos dessa forma podem ser recuperados com relativa facilidade.

Isso acontece porque, no básico, o sistema operacional apenas marca o espaço do arquivo como “disponível”, sem apagar o conteúdo imediatamente. Se alguém souber onde procurar, ainda consegue acessar esses dados.

Uma alternativa mais segura é usar uma ferramenta de trituração de arquivos. Esse tipo de software permite apagar arquivos sensíveis sobrescrevendo os dados várias vezes, com padrões aleatórios, para dificultar a recuperação.

Triturador de arquivos pelo Dr. Cleaner

12. Tenha cuidado com as redes sociais

As plataformas de redes sociais coletam muito mais dados do que a maioria das pessoas imagina. Elas rastreiam não apenas o que você publica, mas também onde você vai, no que você clica fora da plataforma e quem está na sua lista de contatos. A boa notícia é que você não precisa excluir suas contas. Algumas mudanças já ajudam a limitar o que é compartilhado.

Nunca compartilhe informações sensíveis

O cenário ideal, do ponto de vista da privacidade online, seria excluir sua conta do Facebook de vez, mas isso provavelmente não é viável para a maioria das pessoas. Então, em vez disso, pelo menos tenha cuidado com o tipo de informação que você compartilha na rede social que mais usa.

Evite marcar sua localização em cada postagem. Há vários casos de pessoas que tiveram a casa roubada depois de publicarem que estavam viajando. Por exemplo, três ladrões em New Hampshire levaram US$ 200.000 em bens roubados após invadir 50 casas, algo que teria sido facilitado por acompanhar as publicações das vítimas no Facebook.

Uma boa regra é não postar nada que você considere sensível. Parta do princípio de que o mundo inteiro pode ver sua próxima atualização.

Reforce suas configurações de privacidade

A maioria das plataformas de redes sociais configura a conta para compartilhar o máximo possível por padrão, porque isso favorece o modelo de negócios. Para manter suas informações mais protegidas, considere estas medidas:

  • Escolha Amigos em vez de Público: defina o público padrão como Amigos para as próximas postagens. No Facebook, use “Limitar publicações anteriores” para mudar, de uma vez, as postagens antigas que estavam públicas para “Amigos”.
  • Desative o uso do seu conteúdo para treinar IA: plataformas como Facebook, Instagram e X usam posts e fotos para treinar modelos de IA. Verifique as configurações e, se houver essa opção, desative antes que seu conteúdo seja usado.
  • Desative o reconhecimento facial: se a plataforma oferecer esse recurso, desligue para evitar que o serviço identifique você automaticamente e monte um banco de dados do seu rosto.
  • Desative o rastreamento fora da plataforma: procure opções como “Atividade fora do Facebook” e desconecte. Isso reduz o rastreamento do que você faz em outros sites por meio de botões de curtir embutidos e recursos semelhantes.

Verifique suas configurações regularmente

As redes sociais mudam o tempo todo e, às vezes, redefinem escolhas de privacidade ou adicionam novas opções com coleta de dados ativada por padrão. Defina um lembrete para revisar suas configurações de privacidade a cada alguns meses e garantir que tudo continua do jeito que você prefere.

13. Acesse a web via Tor

Ao longo dos anos, o Tor acabou ganhando uma reputação ruim, nem sempre pelos motivos certos. Como tecnologia, ele é um mecanismo inteligente que permite navegar com um alto nível de anonimato.

Tor é a sigla de “The Onion Router” (algo como “roteador cebola”). Ele encaminha sua conexão pela rede passando por vários nós antes de chegar ao destino. Por isso, fica muito mais difícil rastrear a conexão ou ver o que está sendo transmitido. Em alguns aspectos, o Tor lembra uma VPN. A diferença é que a VPN passa por um servidor adicional, enquanto o Tor usa vários.

O Tor é útil para:

Denúncias (whistleblowing) ou jornalismo em regiões perigosas

Se você atua em um país onde expor informações do governo pode trazer consequências graves, o Tor pode ajudar a reduzir o risco de identificação e vigilância. Ele encaminha a conexão por vários servidores e criptografa os dados em cada etapa. Isso dificulta que você e suas fontes sejam identificados, mesmo que autoridades tenham acesso a um dos servidores.

Contornar censura pesada

Em países com internet fortemente regulada, como China e Irã, VPNs muitas vezes são bloqueadas. O Tor pode ajudar a contornar essas restrições com servidores especiais que não ficam listados publicamente, o que reduz a chance de bloqueio imediato. Assim, você evita conexões barradas e diminui a preocupação com o rastreamento do IP.

Acessar sites .onion

A chamada dark web inclui sites com domínio .onion. Eles não aparecem no índice do Google e só podem ser acessados pelo Tor Browser. Você pode usar o Tor para acessar informações censuradas mantendo um alto nível de anonimato.

Gratuito e descentralizado

O Tor foi criado por uma organização sem fins lucrativos como alternativa gratuita a serviços pagos de privacidade. A rede é mantida por milhares de voluntários no mundo, não por uma única empresa. Isso torna o Tor mais resistente a pressões, já que não existe uma autoridade central que possa ser obrigada a registrar ou entregar dados de usuários.

Começar com o Tor é simples. Tudo o que você precisa é do Tor Browser oficial. Há versões para os principais sistemas. Depois de instalar e abrir, você consegue se conectar à rede Tor com um clique. Nesse ponto, sua conexão fica mais segura e anônima. Veja como o navegador é:

Navegador TOR

Vale lembrar que o Tor não é tão rápido por causa do caminho que a conexão percorre. Enquanto a VPN passa por um servidor adicional, o Tor usa vários servidores para criptografar e encaminhar os dados. Por isso, atividades como streaming e downloads podem ficar bem lentas ou até inviáveis.

Se sua atividade principal na internet é assistir Netflix ou usar redes sociais, talvez uma VPN faça mais sentido. Mas se você busca uma ferramenta que prioriza anonimato acima de velocidade, o Tor tende a ser a melhor opção.

14. Ajuste as configurações de privacidade do seu sistema operacional

Seu computador e seu celular compartilham muito mais informações sobre você do que parece. MacBooks, PCs com Windows e smartphones coletam dados como quais apps você usa com mais frequência ou quais ficam como padrão. Embora as empresas digam que isso melhora a experiência, na prática o objetivo também é aprimorar a publicidade para aumentar receita.

Isso quer dizer que seu dispositivo atual vai para o lixo?

Não. Significa apenas que você precisa ajustar algumas configurações.

Se você usa Windows: abra Configurações e vá em Privacidade e segurança. Desative o ID de publicidade em Geral. Em Diagnóstico e comentários, selecione “Obrigatório” em vez de “Opcional”. Depois, revise as Permissões de aplicativo e desative o acesso à câmera e ao microfone para apps que você não usa com frequência.

Se você usa Mac: vá em Ajustes do Sistema e clique em Privacidade e Segurança. Desative anúncios personalizados e desligue “Compartilhar Análise do Mac”. Revise Serviços de Localização, Câmera e Microfone e remova o acesso de apps que não precisam dessas permissões.

Se você usa celular: abra as Configurações e procure por Privacidade ou Segurança e privacidade. Desative a personalização de anúncios, verifique quais apps podem usar sua localização e remova permissões de aplicativos que você não usa há meses.

15. Você realmente precisa desse Amazon Echo?

Por mais úteis que esses assistentes para casa possam ser, eles também levantam preocupações importantes de privacidade online. Principalmente porque funcionam em um modo “sempre ligado, sempre ouvindo”.

Na prática, isso significa que a Alexa fica ouvindo o que acontece ao redor e enviando esses dados pela internet para os servidores da Amazon.

No fim das contas, você não tem controle total sobre como esses dados serão usados e por quem. Para ser transparente, a Amazon afirma que não compartilha dados do Amazon Echo com terceiros.

O Google Home, por outro lado, pode ser ainda mais invasivo do ponto de vista da privacidade. Além do microfone sempre ativo, ele também pode rastrear localização e compartilhar dados para fins de publicidade com terceiros, inclusive outras empresas do Google.

16. Use máquinas virtuais

Máquinas virtuais permitem simular um segundo computador dentro do seu próprio computador. Funciona como um ambiente isolado (sandbox). Você pode limitar a máquina virtual do jeito que precisar, por exemplo, desativando a conexão com a internet ou desligando partes do sistema.

Máquinas virtuais são ótimas se você quiser realizar uma tarefa sensível no seu computador sem depender necessariamente de internet. Elas também são úteis quando você quer garantir que não haverá conexão disponível e que suas ações não fiquem registradas para serem enviadas a terceiros no futuro.

Em outras palavras, se você precisar abrir um arquivo e quiser ter certeza de que ninguém está observando o que você está fazendo, dá para fazer isso em uma máquina virtual. Depois, quando terminar, basta excluir essa máquina virtual e, com isso, eliminar os vestígios da operação.

Experimente o VirtualBox, uma solução gratuita e popular que roda em Windows, Linux e Mac.

17. Evite Wi-Fi público

Por mais que todo mundo goste de redes Wi-Fi gratuitas, vale ter cuidado. Na verdade, o ideal é evitar sempre que possível.

O Wi-Fi público traz várias preocupações de privacidade online:

  • Você nunca sabe quem está operando a rede, quais configurações foram usadas, que tipo de informação é registrada e assim por diante.
  • Você não tem como ter certeza de que a rede não é uma rede falsa (evil twin), criada para se passar pela rede Wi-Fi legítima que você pretendia usar. Por exemplo, você vê uma rede aberta chamada “Wi-Fi Grátis Starbucks” e decide conectar. Mesmo assim, não há como confirmar se ela é realmente a rede oficial da cafeteria. Qualquer pessoa com um roteador móvel pode criar uma rede com esse nome e capturar dados de quem se conecta. Ouça o primeiro episódio do podcast Hackable, da McAfee, para entender melhor esse tipo de golpe (disponível no iTunes).
  • Você também não pode ter certeza de que uma VPN vai proteger você em qualquer cenário. Na maioria dos casos, a VPN ajuda, mas se você estiver em uma rede falsa, quem a opera ainda pode tentar observar o tráfego. Além disso, existe o risco de vazamento de DNS. Em poucas palavras, seu laptop pode continuar usando o DNS padrão para acessar a internet, em vez de usar os servidores seguros da VPN. Aqui está mais sobre o assunto.

O que você pode fazer?

  1. Evite redes Wi-Fi públicas sempre que for realizar algo sensível. Não acesse o banco, compras com cartão ou qualquer serviço em que sua privacidade seja essencial.
  2. Se precisar usar Wi-Fi público, use também uma VPN. Faça um teste de vazamento de DNS para confirmar que a conexão está realmente protegida.
  3. Confirme o nome exato da rede antes de se conectar, para reduzir o risco de cair em uma rede falsa.

Privacidade para casos de uso específicos (dados de saúde, privacidade infantil, dispositivos inteligentes)

A privacidade pode ser mais complicada em algumas situações. Por exemplo, você pode estar lidando com dados de saúde sensíveis, protegendo seus filhos online ou tentando manter dispositivos inteligentes da casa mais seguros. Veja como se proteger em cada caso.

  • Para dados de saúde: sua pulseira ou relógio fitness não são protegidos pelas mesmas leis de privacidade que uma clínica ou consultório médico. Empresas podem compartilhar dados de frequência cardíaca, sono e localização com anunciantes. A melhor forma de se proteger é desativar o compartilhamento de dados nas configurações do app e excluir registros antigos que você não precisa mais.
  • Para privacidade infantil: leis como a COPPA exigem que empresas peçam consentimento dos responsáveis antes de coletar dados de crianças menores de 13 anos. Veja se os apps e brinquedos que seu filho usa seguem essas regras. Uma busca rápida pode mostrar se um produto já foi apontado por violações de privacidade.
  • Para dispositivos inteligentes: “Admin” ou “1234” não vão proteger sua caixa de som inteligente ou câmera contra invasões. Para proteger esses dispositivos, troque as senhas padrão imediatamente e configure uma rede Wi-Fi separada para os dispositivos de casa inteligente.

Conclusão: Proteger sua privacidade online é simples

A privacidade online é um tema que vem ganhando cada vez mais importância nos últimos anos.

Além de medidas básicas e de bom senso que todo usuário deveria adotar, também existem novas regulamentações e debates sobre neutralidade da rede que ganharam força.

Hoje em dia, fica difícil escapar do rastreamento de grandes empresas, do registro de atividades pelo seu provedor de internet e, em alguns lugares, até da venda desses dados a terceiros (o que é legal nos EUA).

Isso pode assustar. Ainda assim, existem ações práticas e ferramentas que ajudam a proteger sua privacidade online. Esperamos que a lista acima tenha dado uma boa visão do que é possível e de como a maioria dessas medidas é simples de aplicar. O importante é ser intencional e revisar suas configurações e medidas de privacidade de tempos em tempos.

Mais ferramentas úteis de privacidade online podem ser encontradas aqui: PrivacyTools.io

Infográfico de Privacidade Online