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IPv4 vs. IPv6: Diferenças explicadas (Guia 2026)

Rob Mardisalu

Rob Mardisalu

Editor do TheBestVPN.com
IPv6 ou IPv4

A internet está passando por uma transformação profunda.

Na verdade, ela vem passando por isso há bastante tempo, e você provavelmente nem percebeu. Talvez você saiba que o Protocolo de Internet (IP) é o que faz a internet funcionar… mas sabia que estamos no meio de uma grande atualização desse protocolo?

A especificação do IPv6 foi finalizada em 1998, e a internet ainda está em processo de migração do IPv4 (a versão anterior). É um processo longo, e ainda temos um bom caminho pela frente.

Mas por que você deveria se preocupar com IPv4 vs. IPv6? Isso afeta você de alguma forma? Sim, e já vamos ver como. Antes, porém, vale olhar mais de perto os dois protocolos e entender algumas das principais diferenças entre IPv4 e IPv6.

Principais diferenças: IPv4 vs. IPv6 (tabela de comparativa)

Característica IPv4 IPv6
Versão do protocolo Quarta geração do Protocolo de Internet Sexta geração do Protocolo de Internet
Quantidade de endereços Sistema de 32 bits com aproximadamente 4,3 bilhões de endereços Sistema de 128 bits com 340 undecilhões de endereços
Escassez de endereços Esgotou em 2011; o NAT é usado como alternativa Praticamente ilimitado (sem preocupação com escassez)
Formato do endereço Quatro números decimais (0–255), separados por pontos. Exemplo: 197.0.0.1 Oito blocos hexadecimais, separados por dois-pontos. Exemplo: 2600:1400:d:5a3::3bd4
Endereço de teste 127.0.0.1 ::1
Entrega de mensagens Unicast, broadcast, multicast Unicast, multicast, anycast
Tradução de endereços (NAT) Requer NAT Dispensa NAT
Método de configuração Configuração manual ou via DHCP Configuração automática (SLAAC) ou via DHCPv6
Cabeçalho do pacote Tamanho variável: 20 a 60 bytes, dependendo das opções Sempre 40 bytes, com cabeçalhos de extensão opcionais
Verificação de erros Inclui soma de verificação (checksum) no cabeçalho Não inclui checksum no cabeçalho
Recursos adicionais Apenas recursos opcionais básicos Ampla variedade de cabeçalhos de extensão para roteamento, fragmentação e qualidade de serviço
Proteção de privacidade Pode ocultar os últimos 8 bits do endereço Usa endereços temporários e aleatórios para maior privacidade
Fragmentação Roteadores lidam com a fragmentação O dispositivo fragmenta antes de enviar
Registros DNS Usa registros A Usa registros AAAA
Processamento do roteador Roteadores verificam os cabeçalhos dos pacotes Roteadores usam consultas mais rápidas na tabela de roteamento
Segurança integrada IPsec disponível, mas não obrigatório IPsec é obrigatório e nativo
Conexões móveis Precisa do protocolo Mobile IP Suporte nativo para dispositivos móveis

IPv4: Onde tudo começou

Você pode se surpreender ao descobrir que a quarta versão do Protocolo de Internet existe desde 1983. Talvez ainda mais surpreendente seja o fato de que ela continua sendo usada pela grande maioria da internet.

E ela funcionou muito bem: a internet não parece obsoleta, e a transmissão de dados tem atendido bem às necessidades nos últimos 25 anos. Mas existe um grande problema com o IPv4:

Ficamos sem endereços IP.

Um endereço IP é, basicamente, a localização de um dispositivo na internet. Seu celular tem um. Seu computador tem um. Seu console de jogos também (embora eles nem sempre tenham endereços únicos; já vamos falar sobre isso). Cada pacote de dados enviado pela internet carrega dois endereços IP: o do remetente e o do destinatário.

É assim que os dados circulam pela internet. Como dá para imaginar, os endereços IP são essenciais.

O problema do IPv4 é que os endereços IP são números de 32 bits (algo como “191.148.205.15”). Existem pouco menos de 4,3 bilhões de combinações possíveis nesse formato. É um número enorme. Então como podemos estar ficando sem?

Para começar, existe uma quantidade gigantesca de dispositivos conectados à internet. Cada vez mais celulares têm acesso à rede e precisam do próprio endereço IP. Só nos EUA, há mais de cem milhões de assinaturas de banda larga. Cada uma delas também precisa de um endereço IP.

Mas, ainda assim, 4,3 bilhões? Parece difícil de acreditar.

Um dos fatores por trás do esgotamento dos endereços IPv4 é o uso ineficiente. Na década de 1980, algumas grandes empresas receberam milhões de endereços IP, muito mais do que jamais precisariam. Existem muitos endereços reservados, mas não utilizados, e esse desperdício contribui para a falta de endereços de 32 bits.

Houve um movimento para que quem tem esses endereços sem uso os devolvesse, permitindo que outros os aproveitem, e isso ajudou a desacelerar o esgotamento. Mesmo assim, estamos adicionando dispositivos em um ritmo rápido demais.

É aí que entra o IPv6.

IPv6: O presente e o futuro

Como mencionei, o IPv6 foi finalizado em 1998 e resolve uma série de problemas do IPv4. A principal melhoria é a adoção de endereços IP de 128 bits (algo como “2001:0db8:85a3:0000:0000:8a2e:0370:7334”). Em vez de ficar limitado a 4,3 bilhões, o novo protocolo suporta algo em torno de 3,4×10^38 endereços.

Isso equivale a 340 undecilhões de endereços IP.

Para ser justo, Chris Welsh mostrou que apenas 42 undecilhões estarão realmente disponíveis para atribuição. Ainda assim, é um número quase inimaginável. Não vamos ficar sem endereços IP tão cedo na rede IPv6.

Esse espaço maior de endereçamento também significa que cada dispositivo pode ter o próprio endereço. Hoje, os roteadores têm endereços únicos, e os dispositivos conectados a eles recebem endereços que não são únicos na internet. Assim, os dados chegam ao roteador e, de lá, são encaminhados até o destino final.

Isso é possível graças à Tradução de Endereços de Rede (NAT). E, embora o NAT seja uma tecnologia útil e confiável, ele tem algumas desvantagens. Por exemplo, pode impedir que certos protocolos protejam os dispositivos como deveriam. Além disso, exige recursos para funcionar corretamente (ainda que esse custo seja muito pequeno).

O IPv6 elimina a necessidade de NAT. Como há endereços suficientes para cada dispositivo, não faz sentido usar endereços não únicos “por trás” dos roteadores. E o NAT deixa de ser um obstáculo para melhorias de segurança.

O novo protocolo também é mais eficiente do que o IPv4. A simplificação dos cabeçalhos dos pacotes, o roteamento mais inteligente e o suporte a uma rede peer-to-peer mais robusta são melhorias importantes. Mesmo assim, é pouco provável que o usuário perceba grandes saltos de desempenho. A Sucuri encontrou pouco ou nenhum ganho em relação ao IPv4, e outras análises apontaram melhorias discretas, na faixa de 5% a 10%.

Ainda estamos nos estágios iniciais do IPv6, mas uma transferência de dados mais eficiente é sempre uma boa notícia.

Principais vantagens do protocolo IPv6

O IPv6 oferece uma série de benefícios que tornam o protocolo mais atraente:

  • Espaço de endereçamento maior: o IPv6 disponibiliza um número muito maior de endereços de internet (340 undecilhões) do que o IPv4 (4,3 bilhões). Isso ajuda a resolver o problema da falta de endereços únicos, com o qual as organizações vêm lidando há anos.
  • Processamento mais eficiente de pacotes: o IPv6 melhora o desempenho da rede ao simplificar a forma como os roteadores lidam com a verificação de erros. Assim, eles não precisam checar cada pacote de dados que passa por eles. Em vez disso, outras camadas assumem essa tarefa, enquanto o roteador se concentra em encaminhar os pacotes ao destino com mais rapidez.
  • Configuração flexível e automática: o IPv6 facilita para que seus dispositivos obtenham um endereço e se conectem a diferentes redes. Celular, notebook e dispositivos de casa inteligente conseguem se configurar usando as informações de rede compartilhadas pelo roteador. Eles também podem se comunicar entre si de forma eficiente sem precisar de servidor, por meio de um processo chamado endereçamento link-local.
  • Eliminação do NAT: o IPv6 elimina a necessidade do NAT, uma técnica de rede que permite que vários dispositivos compartilhem um único endereço IP público. Como o espaço de endereçamento é enorme, o IPv6 torna possível que cada dispositivo tenha um endereço único, o que simplifica a configuração da rede e pode melhorar o desempenho da conexão.

O estado atual do IPv6

Apesar de ter sido finalizado em 1998, ainda são poucos os lugares na internet que migraram para o IPv6. Em maio de 2017, 37 países tinham mais de 5% do tráfego de internet passando por IPv6. Apenas sete países ultrapassavam 15%. Se o IPv6 é tão melhor, por que mais gente ainda não mudou?

Em resumo, porque é caro. A migração exige novos softwares e equipamentos de servidor. Além disso, o IPv6 não é retrocompatível com o IPv4. Ou seja, qualquer site que queira atender usuários que chegam pelos dois protocolos precisa, na prática, manter duas versões do serviço (ou usar um tipo de tradutor).

Ainda assim, o IPv6 vem ganhando espaço. A maioria dos roteadores e sistemas operacionais modernos já oferece suporte ao protocolo. Provedores de internet estão liberando IPv6 para mais usuários o tempo todo. A maioria dos grandes ISPs oferece pelo menos alguma funcionalidade IPv6, embora o ritmo de implantação varie entre os países mais desenvolvidos.

Você deve usar IPv6?

Agora que você já viu alguns benefícios do IPv6 e o quanto ele está disponível, talvez esteja se perguntando se deve usar. Em resumo, sim. Quanto mais ampla for a adoção dessa tecnologia, melhor. Se o seu provedor oferece IPv6 e você tem um roteador compatível, vale a pena ativar.

Antes disso, porém, é bom testar se você já está usando. Acesse www.test-ipv6.com para verificar se a sua conexão está em IPv6. Veja o que aparece quando você está usando apenas IPv4:

testando conectividade IPv6

A ativação do IPv6 vai depender do seu roteador e do seu provedor. O melhor caminho é pesquisar por “[fabricante do roteador] ipv6 [seu provedor]”. Você também pode atualizar o firmware do roteador para o DD-WRT para facilitar o processo.

É importante entender que existem duas formas de acessar sites em IPv6: com um mecanismo de transição ou de forma nativa. Existem vários mecanismos de transição, mas um dos mais comuns é o 6to4. Ele encapsula dados IPv6 dentro de transmissões IPv4, permitindo acessar sites no formato mais novo usando um protocolo de transmissão mais antigo.

Já uma conexão IPv6 nativa permite que você se conecte diretamente ao site, sem passar pelo processo de transição. Isso é o que você precisa para uma migração completa para o IPv6. Se o seu roteador oferecer essa opção, prefira IPv6 nativo.

Para verificar se um site aceita conexões IPv6, use uma ferramenta de validação de IPv6. Se o site tiver um endereço IP de 128 bits, é sinal de que ele é compatível com IPv6.

O risco de segurança: Entendendo IPv6 e vazamentos de VPN

Embora o IPv6 traga muitas vantagens, elas pouco adiantam se você usa uma VPN que não dá suporte adequado ao protocolo. O problema é que muitas VPNs ainda foram projetadas principalmente para IPv4 e não lidam corretamente com o tráfego IPv6.

Quando os dois protocolos estão ativos, o dispositivo tenta se conectar usando o que estiver mais rápido. Se um site oferecer IPv6 e a sua VPN não capturar esse tráfego, o dispositivo envia a conexão diretamente para o seu provedor de internet, fora do túnel criptografado. Com isso, o seu endereço IPv6 real fica exposto, o que compromete o objetivo de usar uma VPN.

Por esse motivo, muita gente desativa o IPv6 ao usar uma VPN ou procura serviços que tenham proteção contra vazamentos de IPv6. Você também pode reduzir o risco ativando o kill switch ou desativando manualmente o IPv6 no dispositivo, forçando todo o tráfego a passar pelo IPv4.

Para verificar se há vazamentos, acesse ipleak.net enquanto estiver conectado à VPN. Se aparecer um endereço IPv6 do seu provedor de internet, e não do servidor da VPN, é sinal de vazamento.

Como desativar o IPv6

Se você preferir não usar IPv6 (e a recomendação é desativar caso a sua VPN não consiga proteger esse tráfego), dá para impedir que o computador utilize o protocolo.

No Windows, vá em Configurações > Rede e Internet > Central de Rede e Compartilhamento (fica na parte inferior da janela).

Central de Rede e Compartilhamento

Clique em Alterar as configurações do adaptador. Depois, clique com o botão direito na sua conexão principal (por exemplo, o Wi-Fi) e selecione Propriedades.

Propriedades do WiFi

Na lista, localize Protocolo de Internet Versão 6 (TCP/IPv6) e desmarque a caixa.

Protocolo de Internet Versão 6

Para desativar o IPv6 no Mac, vá em Preferências do Sistema > Rede. Clique em Avançado e abra a aba TCP/IP.

Configurando IPv4 no Mac

Em seguida, altere o menu Configurar IPv6 para Desativado.

Se a opção Desativado não aparecer, você precisará usar um comando no Terminal. Abra o Terminal e execute um dos comandos abaixo, conforme o tipo de conexão:

networksetup -setv6off "Wi-Fi"

networksetup -setv6off "Ethernet"

Isso deve liberar a opção Desativado na aba TCP/IP das configurações de rede. Para reativar, basta selecionar Automaticamente no menu ou executar um destes comandos:

networksetup -setv6automatic "Wi-Fi"

networksetup -setv6automatic "Ethernet"

VPNs que suportam IPv6

Como mencionei antes, a maioria das VPNs ainda não oferece suporte a conexões IPv6. Existem algumas, porém, que permitem que você se conecte via IPv6. Mullvad (análise) e FrootVPN (análise), duas VPNs de que gostamos, oferecem suporte completo. O mesmo vale para a Perfect Privacy, mas não tivemos a oportunidade de analisar o serviço deles até o momento em que este conteúdo foi escrito.

Além dessas três, a melhor alternativa é escolher uma VPN com proteção contra vazamento de IPv6, para evitar que o tráfego acabe passando pelo seu provedor de internet. A maioria das VPNs mais bem avaliadas oferece algum tipo de proteção contra vazamentos. Algumas, como a NordVPN (ler avaliação), têm falado bastante sobre a implementação desses recursos, e você pode confiar que eles devem funcionar bem.

Para confirmar se a VPN escolhida oferece proteção contra vazamentos de IPv6, o mais indicado é consultar a documentação do serviço. Em alguns casos, existe uma opção que você precisa ativar manualmente. Em outros, a VPN bloqueia o tráfego IPv6 automaticamente. Há também serviços que recomendam desativar o IPv6 no próprio computador.

Claro, a recomendação é sempre usar uma VPN para rotear seu tráfego. Mas, se a sua VPN estiver vazando o seu endereço IPv6, pode ser mais seguro simplesmente desativar o IPv6 seguindo as instruções acima.

Fique seguro com IPv6

Por ser uma tecnologia mais nova e melhor, pode dar vontade de migrar direto para o IPv6. Se ele é superior ao IPv4, por que não usar por padrão? O ponto é que, como vimos, ainda existem alguns obstáculos, principalmente o fato de que a maioria das VPNs não lida bem com IPv6. E, sem proteção contra vazamentos, você pode acabar expondo seu IP justamente quando acha que está protegido.

Por isso, verifique se a sua VPN suporta IPv6 ou, no mínimo, oferece proteção contra vazamento de IP. Caso contrário, considere trocar de VPN (a maioria das marcas conhecidas oferece algum tipo de proteção) ou desativar o IPv6 nas configurações do computador.

Seguindo esses passos, você pode ter mais confiança de que estará navegando com mais segurança na internet compatível com IPv6.

Você já fez a mudança para o IPv6? Sua VPN oferece suporte? Compartilhe sua experiência nos comentários abaixo.