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IPv4 vs. IPv6: principais diferenças explicadas (2026)

Rob Mardisalu

Rob Mardisalu

Editor do TheBestVPN.com
Valdas Bertašavičius

Valdas Bertašavičius

Revisor técnico e editor do TheBestVPN.com

Resumo do artigo

  • O conjunto de 4,3 bilhões de endereços do IPv4 foi oficialmente esgotado em fevereiro de 2011. Desde então, o NAT tem mantido o IPv4 funcionando aos trancos e barrancos.
  • O IPv6 expande o espaço de endereçamento para 340 undecilhões, elimina a necessidade de NAT e integra o IPsec ao próprio protocolo.
  • Em março de 2026, o IPv6 passou a responder por mais de 50% do tráfego do Google pela primeira vez, mas a transição ainda levará anos para ser concluída.
  • Se a sua VPN não lidar com IPv6, seu endereço IPv6 real pode vazar para fora do túnel. Faça o teste em ipleak.net e desative o IPv6 se a sua VPN não cobrir esse tráfego.
  • NordVPN, Surfshark e ProtonVPN incluem proteção contra vazamento de IPv6 por padrão.

Um endereço IP é o número que uma rede usa para localizar o seu dispositivo. Pense nele como o endereço de retorno em cada pacote de dados que você envia.

Quando você carrega uma página, assiste a uma série por streaming ou envia um e-mail, os endereços IP informam aos roteadores no caminho para onde o tráfego está indo e para onde a resposta deve ser enviada.

Durante a maior parte da história da internet, esse trabalho de endereçamento foi feito pelo IPv4. Ele funciona, mas está no limite. O IPv6 é o substituto que vem ganhando espaço silenciosamente nos bastidores e, em 2026, finalmente chegou a um ponto de virada. Veja como os dois se comparam e o que isso realmente significa para a forma como você se conecta.

Entendendo o IPv4 e o IPv6

A maior diferença entre os dois é a quantidade de endereços que cada protocolo consegue oferecer.

O IPv4 existe desde 1983, quando foi padronizado na RFC 791. Ele usa um endereço de 32 bits, escrito como quatro números entre 0 e 255, separados por pontos. Por exemplo, 142.250.62.25. Essa configuração oferece cerca de 4,3 bilhões de endereços possíveis, o que parecia muito no início dos anos 80.

Mas não era. Smartphones, smart TVs, campainhas, geladeiras e todos os dispositivos IoT na sua rede precisam de um endereço. A Internet Engineering Task Force (IETF) percebeu que o limite estava chegando e começou a desenvolver o IPv6 ainda em 1995.

A IANA, órgão que distribui blocos de endereços para os registros regionais, ficou sem blocos disponíveis em fevereiro de 2011. Desde então, o NAT (Network Address Translation) tem mantido tudo funcionando.

O IPv6 usa 128 bits em vez de 32 e representa os endereços em formato hexadecimal, separados por dois-pontos:

2001:0db8:85a3:0000:0000:8a2e:0370:7334

Isso resulta em 340 undecilhões de endereços, um número de 39 dígitos. É o suficiente para cada dispositivo que a humanidade poderia construir de forma plausível nas próximas décadas, com espaço de sobra para que cada grão de areia na Terra tenha seu próprio bloco. Ele foi ratificado como um Padrão da Internet em 2017 (RFC 8200) e, em março de 2026, atingiu um marco importante: mais da metade de todo o tráfego do Google agora passa pelo IPv6.

IPv4 vs. IPv6: principais diferenças em resumo

O tamanho do conjunto de endereços atrai toda a atenção, mas algumas outras diferenças importam mais no dia a dia.

O IPv6 não precisa de NAT. Cada dispositivo pode ter seu próprio endereço roteável, o que simplifica a rede e remove uma camada de processamento que antes ficava a cargo do roteador.

Ele também se configura sozinho. Enquanto o IPv4 precisa de configuração manual ou de um servidor DHCP para atribuir endereços, o IPv6 usa SLAAC (Stateless Address Autoconfiguration). O dispositivo se comunica com o roteador, identifica um endereço válido e continua o processo.

A segurança foi projetada desde o início, não adicionada depois. O IPv6 tem suporte nativo ao IPsec, o conjunto de protocolos que cuida da autenticação e da criptografia no nível dos pacotes. Antes, ele era obrigatório, mas a IETF flexibilizou essa exigência para “fortemente recomendado” em 2011 (RFC 6434), porque a onda de dispositivos IoT de baixo consumo não conseguiria lidar com essa criptografia na prática. Vale saber disso se você estiver protegendo uma rede doméstica cheia de tomadas inteligentes.

Além disso, o pacote em si é mais enxuto. Os cabeçalhos do IPv4 variam de 20 a 60 bytes e exigem que os roteadores recalculem uma soma de verificação (checksum) a cada salto (hop). O IPv6 usa um cabeçalho fixo de 40 bytes, sem checksum, o que permite que os roteadores processem os pacotes com menos trabalho.

Tabela de comparação

Recurso IPv4 IPv6
Tamanho do endereço 32 bits (~4,3 bilhões de endereços) 128 bits (340 undecilhões de endereços)
Formato Quatro números decimais, ex. 192.0.2.1 Oito blocos hexadecimais, ex. 2001:db8::1
Loopback 127.0.0.1 ::1
Status do conjunto de endereços Esgotado em 2011, mantido ativo via NAT Efetivamente ilimitado
Tipos de entrega Unicast, broadcast, multicast Unicast, multicast, anycast (sem broadcast)
NAT Necessário Não é necessário
Configuração Manual ou DHCP SLAAC ou DHCPv6
Tamanho do cabeçalho 20 a 60 bytes, variável 40 bytes, fixo
Checksum Sim Não (tratado pelas camadas superiores)
Fragmentação Roteadores ou remetente Apenas remetente
Registro DNS A AAAA
IPsec Opcional, adicionado depois Integrado, fortemente recomendado
Mobilidade Extensão Mobile IP Suporte nativo

Vantagens e desvantagens do IPv4 e IPv6

Nenhum dos protocolos é estritamente “melhor”. Eles estão em pontos diferentes de seus ciclos de vida.

Onde o IPv4 ainda ganha

Ele tem suporte universal. Todo dispositivo, roteador, sistema operacional e site criado nos últimos 40 anos fala IPv4 fluentemente. Equipamentos mais antigos muitas vezes sequer oferecem suporte ao IPv6, então é o IPv4 que mantém os equipamentos legados em comunicação.

Os endereços também são curtos o suficiente para serem digitados de memória, o que importa mais do que você imagina quando está solucionando problemas às 2 da manhã. Além disso, as ferramentas de rede que as pessoas usam há décadas, como ping, traceroute, nmap e praticamente qualquer painel de monitoramento já lançado, foram criadas primeiro com o IPv4 em mente.

Onde o IPv4 deixa a desejar

Não há mais novos endereços disponíveis. O NAT é uma solução paliativa, não uma correção definitiva, e adiciona carga de CPU a cada roteador que realiza a tradução. A configuração também é mais manual do que deveria ser.

Onde o IPv6 ganha

O espaço de endereçamento é o grande destaque, mas a vantagem prática é que o NAT desaparece. Os dispositivos recebem endereços roteáveis globalmente, as redes ficam mais simples e as aplicações que têm dificuldades atrás do NAT, como peer-to-peer, VoIP e alguns protocolos de jogos, tendem a funcionar melhor. O SLAAC permite que os dispositivos se configurem sozinhos. O IPsec é integrado.

Onde o IPv6 deixa a desejar

Ele não é retrocompatível com o IPv4. As redes que rodam os dois protocolos precisam de uma configuração dual-stack (pilha dupla), o que dobra o trabalho de configuração. Os endereços são difíceis de memorizar ou ditar em voz alta. E muitos dispositivos mais antigos simplesmente não oferecem suporte a ele.

O esgotamento do IPv4 e a mudança para o IPv6

A história do esgotamento se desenrolou lentamente, até que aconteceu de uma vez. A IANA entregou seus últimos blocos IPv4 não alocados aos cinco registros regionais da internet em 3 de fevereiro de 2011.

As regiões consumiram suas reservas ao longo da década seguinte: o APNIC ficou sem reservas em abril de 2011, o ARIN em setembro de 2015, o RIPE NCC em novembro de 2019 e o LACNIC em 2020. Depois disso, obter novos endereços IPv4 significava comprá-los de alguém disposto a vender, e os preços subiram rapidamente.

O NAT foi o que manteve a internet existente funcionando durante tudo isso. Ao permitir que centenas ou milhares de dispositivos compartilhassem um único endereço IPv4 público, ele disfarçou a escassez. Mas o NAT rompe a conectividade de ponta a ponta, que é a premissa de design sobre a qual muitos protocolos de internet foram construídos.

A adoção do IPv6 vem crescendo continuamente, apenas não tão rápido quanto todos esperavam em 2011. As medições do Google, provavelmente a melhor referência pública disponível, mostram o tráfego IPv6 ultrapassando 50% pela primeira vez em março de 2026, em comparação com cerca de 46% um ano antes.

Os números do APNIC são mais baixos, em torno de 42%, porque medem a capacidade de suporte, e não o uso efetivo, mas ambos apontam na mesma direção. Países que não receberam grandes alocações iniciais de IPv4, como Índia, China e grande parte do Sudeste Asiático, migraram para o IPv6 mais rapidamente por necessidade. As operadoras de telefonia móvel lideraram esse movimento em quase todos os lugares.

Transição do IPv4 para o IPv6: dual-stack, tunelamento e NAT64

Não existe uma virada única para essa mudança. Os dois protocolos precisam coexistir enquanto o mundo conclui a transição.

O Dual-stack (pilha dupla) é a abordagem mais comum. O roteador roda os dois protocolos ao mesmo tempo, o tráfego IPv4 usa registros A, o IPv6 usa registros AAAA e o sistema escolhe o caminho certo automaticamente. Se você configurou um roteador doméstico nos últimos anos, provavelmente ativou o dual-stack sem perceber.

O tunelamento (tunneling) lida com o caso em que uma rede somente IPv4 fica entre duas redes IPv6. O pacote IPv6 é encapsulado em um cabeçalho IPv4 para poder trafegar pela rede mais antiga e, em seguida, é desencapsulado do outro lado.

O NAT64 resolve o problema oposto: um cliente IPv6 tentando acessar um serviço somente IPv4. O gateway NAT64 traduz o pacote IPv6 para IPv4 e o encaminha. A maioria das redes celulares depende fortemente dele.

O que isso significa se você usa uma VPN

Se você está lendo este artigo no TheBestVPN.com, há um detalhe importante: nem toda VPN lida adequadamente com o IPv6. Quando uma VPN protege apenas o seu tráfego IPv4 e o seu dispositivo também tem um endereço IPv6, o tráfego IPv6 pode passar direto por fora do túnel, expondo o seu IP real. Isso anula o propósito de usar a VPN.

Você pode verificar se há vazamento em ipleak.net. Se o seu endereço IPv6 real aparecer lá enquanto você estiver conectado à sua VPN, há duas opções: trocar por uma VPN com proteção adequada contra vazamento de IPv6 ou desativar o IPv6 no dispositivo.

A maioria dos grandes provedores, incluindo os que recomendamos para ocultar o seu IP, oferece proteção integrada contra vazamento de IPv6, capaz de encaminhar o tráfego corretamente ou bloqueá-lo. Se você estiver solucionando problemas de uma conexão VPN instável, os vazamentos de IPv6 são uma causa comum, e muitas vezes invisível.

Perguntas frequentes

+ O IPv6 é mais rápido que o IPv4?


+ O IPv4 e o IPv6 podem funcionar juntos na mesma rede?


+ Por que o IPv4 ainda é usado se o IPv6 está disponível?